- Autor: Simone Pedrolli
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Congresso SINTEP-MT encerra com alerta sobre IA e defesa da escola
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, participou entre os dias 19 e 22 de fevereiro do XIX Congresso Estadual do SINTEP-MT, realizado no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá. Convidada para integrar a mesa de encerramento, a dirigente destacou os desafios impostos pelo avanço da Inteligência Artificial (IA) e reforçou a importância da organização sindical na defesa da educação pública.
Principal instância de deliberação do sindicato, o Congresso reuniu educadores e educadoras para analisar a conjuntura política e sindical, debater os rumos da educação pública e fortalecer a luta em defesa dos direitos humanos. A programação contou com plenárias, oficinas temáticas e debates estratégicos para a construção coletiva do projeto educacional defendido pela categoria.
Entre os temas centrais estiveram o papel da educação como direito humano, a relação entre mídia e democracia, a valorização profissional no contexto do Plano Nacional de Educação (PNE), além das denúncias sobre privatização de recursos públicos e o avanço das parcerias público-privadas (PPPs) na América Latina. Também foram debatidos os impactos da Inteligência Artificial no mundo do trabalho e no sindicalismo.
Encerramento com foco na IA e no papel da categoria
No painel “IA, mundo do trabalho e sindicalismo”, Fátima Silva dividiu a mesa com o professor Daniel Figueiredo de Oliveira, da Universidade Federal da Paraíba. Em sua fala, ressaltou que a identidade dos educadores é construída na memória afetiva e formativa dos estudantes e destacou a potência da escola pública.
“A produção da educação pública de Mato Grosso não cabe dentro de uma homeschool, da escola militarizada ou de espaços sem gestão democrática.”
Para a presidenta da CNTE, a defesa da escola pública passa pela valorização da gestão democrática e pela compreensão da educação como espaço de formação humana integral, que não pode ser reduzido a modelos privatizantes ou autoritários.
IA, contexto e consciência de classe
Ao abordar o avanço da Inteligência Artificial, Fátima alertou para os riscos de um conhecimento “pasteurizado” e descolado da realidade social. Segundo ela, compreender o contexto em que a categoria está inserida é essencial para enfrentar os novos desafios tecnológicos.
“Nossa inserção não é a de donos das Big Techs, mas a de quem é transportador de conhecimentos. Só saberemos lutar e trabalhar com a IA se entendermos esse contexto.”
A dirigente defendeu a apropriação crítica das tecnologias, sem abrir mão da dimensão humanizadora da educação e do papel social dos trabalhadores e trabalhadoras da área.
Organização como instrumento de resistência
Fátima também destacou que a força da categoria está na organização coletiva, estruturada desde as bases municipais até as articulações nacionais e internacionais. Citou a atuação em rede da CNTE, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Internacional da Educação para a América Latina (IEAL) e da Internacional da Educação (IE), como fundamentais na defesa da educação pública enquanto projeto de sociedade.
“É a nossa organização que fará a defesa da educação pública, contra a mercantilização da educação e pela valorização da sua gente com a educação humanizadora”.
O XIX Congresso do SINTEP-MT reafirmou a centralidade da luta sindical na garantia de uma educação pública democrática e socialmente referenciada. A participação de Fátima Silva consolidou a mensagem de que, diante dos desafios tecnológicos e políticos, a unidade da categoria é o principal instrumento de resistência e transformação.
Fonte: CNTE | Editado por: SIMTED Aquidauana
